Posted on Nov 11, 2008
Coração sedentário, que bate sempre no mesmo ritmo. Coração sedentário, preguiçoso. Vivo, mas acostumado com as mesmas batidas, com a mesma cadência, com a mesma corrente.
Coração sedentário, que bate de um lado, soprando a seiva da vida para que o outro lado sobreviva, e esperando que o lado pelo qual eternamente bateu e que em função ele vive, retribua tão grande esforço.
Coração sedentário, que bate sozinho de um lado, enquanto o outro espera. Jamais se encontram, jamais se cruzam, jamais inspiram juntos o mesmo vermelho rubro da existência, mas sem um, o outro não pode continuar batendo. Cruel destino, desse coração sedentário, que a natureza caprichosa tratou de apartar.
Coração sedentário, mas indispensável. Sem ele, não vives. Sem ele não sabes o motivo da tua existência. Sem ele não experimentastes o amor.
Coração sedentário, que sopra de longe, uma batida melodiosa de nostalgia, que sopra de longe aquela melancolia da qual um dia
tu já sentiste.
Coração sedentário, coração cansado de acelerar, dormente, que quer mergulhar mais fundo no eco de suas batidas, só para ouvir a própria resposta e sonhar que está tudo bem.
Bate coração. Bate sem parar. Sempre. Pra sempre.
Até o fim.
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